Publicado por: lourdesnicacio | março 7, 2009

A poesia telúrica de Lourdes Nicácio

A fazenda Canabrava submersa

A fazenda Canabrava submersa

Ritmo das águas vivas

 

   Lourdes Nicácio  
                              
          

Bem dentro de mim armazenei

do São Francisco ilhas, barcos, capinzais

Cajus, goiabas,peixes, frutos de água doce

o clima fresco, o cheiro verde, o arrozal

 

Moinhos, rodas d’água, as carrancas

as pedras, os banhos, as roupas brancas

Gestos florais de cachoeiras e águas mansas

cheiro de argila e bebedouro nas vazantes

 

Moitas, arbustos, diademas de cipós

sombras da fauna, maretas, faixas de areia

Vitalidade permanente, tanto encanto,

tesouro antigo dos palácios das Sereias

 

A imensidão dos campos e rebanhos

culto aos pastores, agricultores, remeiros

Lições de vida, pores-do-sol, rituais

que o Vale tece como artesão dos milagres

 

Sementes, pétalas, raízes em superfície

balsas de adubo rastreando as margens ativas

Daí por que de mim emanam, também, melodias

ou seiva do rio inteiro, em ritmo das águas vivas.

 

Sertanejo

                     

               Lourdes Nicácio

Sobre o teu peito

a luz,o ouro, o bronze

- um sol já tecido

exposto às manhãs

 

Nas mãos a firmeza

de um condutor sagrado

protetor da terra

área dos milagres

 

 

Na voz, a força

o cetro, o Império

Nos pés, arbustos

             e o passo firme

 

Dos olhos

emanam mistérios:

lendas, pássaros, frutos

                       o rio

                         o sonho

                            a vida.


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