Publicado por: lourdesnicacio | março 7, 2009

Sobre o Livro

Capa do Livro

Capa do Livro

 

 

Uma obra além do tempo

 

 Um templo “onde um calendário/ além dos olhos/ tece as estações/ a aternidade”. Um templo que evoca  “o pomar das palavras” repleto de lembranças telúricas e celebra “a canção do gesto”, expondo a “face aos rumos do sol”, através dos dilúvios intensos da lavradora Lourdes Nicácio. Uma sertaneja  que desde a sua juventude  sonhou,  às margens do Rio São Francisco, com  a poesia da vida. “Aprendi a ler/ escrituras gravadas/por dentro das pedras./ Elas, as minhas pedras,/cada uma tem suas histórias/ e eu , tantas vezes,/ a interpretá-las com  a paciência dos monges/ que ainda restam em mim”, proclama a autora em Os monges e as pedras. O Lavrador e o Templo reúne poemas inéditos, além de outros em homenagem à Canabrava, a fazenda da  sua infância. Nesta segunda parte do livro, os  poemas “Sertanejo” e “Oxalá de um vaqueiro desesperado” foram premiados no VI Concurso Nacional e Internacional de Poesias e Contos – Rio de Janeiro/ Editora Valença, 2004. O livro “O lavrador e o templo” foi agraciado com Menção Honrosa no concurso de poesias  Edmir Domingues da Academia Pernambucana de Letras, 2007. O lançamento está previsto para o final deste mês (03/09) no Recife e na sua cidade natal, Belém do São Francisco.

A escritora Lourdes Nicácio

A escritora Lourdes Nicácio

Maria de Lourdes da Silva (Lourdes Nicácio e Silva)  é sertaneja de Belém do São Francisco-Pernambuco. Graduou-se em Letras e fez Pós-Graduação em Língua Portuguesa. É membro da Academia Recifense de Letras e da União Brasileira de Escritores-UBE/PE. Professora, editora, escritora, poeta, com vários livros publicados, foi premiada e homenageada por diversas instituições. Coordenou durante 9 anos o “Programa Academia/ Escolas” (da Academia Pernambucana de Letras), por cuja atuação recebeu Votos de Congratulações, 1985.

      Foi Vice-Coordenadora Geral do I Encontro de Cultura Recifense da UFPE e Academia Recifense de Letras. Trabalhou em projetos educativos e culturais na Casa de Manuel Bandeira-Espaço Pasárgada. Escritora premiada: Menção Honrosa no VI Concurso Nacional e Internacional de Poesias e Contos – Editora Valença, Rio de Janeiro, 2004; Menção Honrosa do Prêmio de Poesia Edmir Domingues, 2007, da Academia Pernambucana de Letras. Participou de diversas antologias e tem 11 livros publicados, alguns adotados por escolas pernambucanas. Um dos seus livros “Os dois mundos de Madalena” foi tema de monografia no Curso de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pernambuco, sob o título  “O êxodo na literatura de Lourdes Nicácio”.

Publicado por: lourdesnicacio | março 7, 2009

Fortuna Crítica

 

A escritora Lourdes Nicácio recebendo do presidente da Academia Pernambucana de Letras a Menção Honrosa do Prêmio Edmir Domingues

A escritora Lourdes Nicácio recebendo do presidente da Academia Pernambucana de Letras a Menção Honrosa do Prêmio Edmir Domingues

“Lourdes Nicácio e Silva  é  detentora de uma  extensa e fecunda  obra literária, quer seja na poesia, nos livros Infanto-Juvenis  ou  no ensaio, em trabalho  lúcido e constante de  levantamento  de informações, sobre o fazer poético e a alma da poesia. Nicácio tem estilo próprio, passeia sobre as palavras como quem caminha dentro do coração do mundo. Na sua poesia, também denuncia a violência, as injustiças sociais, expressando que o fazer poético é uma senha e um ato público para alertar os seres humanos a uma vida mais digna. Estamos diante de uma nordestina que traz as raízes do seu chão, a força do seu rio e, sobretudo a mulher que canta o Amor. Lavradora de um tempo e de um ofício, é o perfil de Lourdes Nicácio”.
* Lourdes Sarmento é poeta, escritora, jornalista, membro da Academia de Artes e Letras do Nordeste e de outras instituições culturais  

Recebendo homenagem na Livraria Cultura ao lado dos escritores Cyl Gallindo, Alexandre Santos e Lourdes Sarmento

Recebendo homenagem na Livraria Cultura ao lado dos escritores Cyl Gallindo, Alexandre Santos e Lourdes Sarmento

 

“….A poesia de Lourdes Nicácio não se inicia pela superfície das coisas, emerge de camadas profundas e alcança  alturas  que  justificam  a  sua inclusão  na ordem solar…”  (Cantos da Ordem do Sol/ Poesia – Assessoria Editorial do Nordeste – 1985)   

* Audálio Alves - poeta da Academia Pernambucana  de  Letras

 

Homenagem do Colégio Santa Catarina, após estudo do livro de sua autoria "Os Dois Mundos de Madalena"

Homenagem do Colégio Santa Catarina, após estudo do livro de sua autoria "Os Dois Mundos de Madalena"

“No tocante à linguagem, é de assinalar a reação da  autora de todo louvável, ao gosto  de exuberância verbal, num país em que tanto se abusa do excesso de palavras vazias. … uma poesia de puros lampejos, contida nos elementos de sua expressão formal e de sua substância inspiradora, a de Lourdes Nicácio e Silva. Nela, estão presentes por igual   repita-se   a menina das margens do São Francisco  e  a  professora de Literatura do Recife e  Olinda. Ambas fiéis ao seu destino e à sua vocação,  servas  humildes da  Poesia,  a  beleza que não morre, e  é  “ uma alegria para sempre”. (Ritmo das Águas Vivas/ Poesia  - Fundação de Cultura Cidade do Recife ,1992)

* Waldemar Lopes - poeta da Academia Pernambucana  de  Letras

 

Lourdes Nicácio como coordenadora de Programa Cultural do Colégio Ginásio Pernambucano

Lourdes Nicácio como coordenadora de Programa Cultural do Colégio Ginásio Pernambucano

“(…) A imagética da poeta exalta três eixos fundamentais: o silêncio, a solidão e a saudade. Ícones que se revelam para muito além do palpável, rimados nos seus ss, no sentimento comum e no poder de transfigurar o que se vê no que se sente. A poéisis garante o fazer alicerçado em um querer que corre na direção do rio cantado e decantado em voz baixa: “Observo o velho rio/ em berço de luz da tarde/ profundo/ silencioso”. O seu silêncio se traduz não somente na palavra escrita, mas também nas entrelinhas do que almeja dizer. Silêncio que fala, que a eleva ao êxtase da palavra, que a fortalece nos momentos de evocação. “Lembras-te daquela noite?/ Em quantos portos/ ancoramos o nosso silêncio!” Não há nada mais reconfortante que ancorar em algum porto. Nele se recebe a benção do acolhimento, a mão estendida do afago, a certeza da proteção. Buscar o porto é salvar-se. Gritar no mais alto tom a palavra catártica. A sua poesia corresponde a esse porto almejado e alcançado por entre a voz do silêncio, da solidão e da saudade. Um porto que tem o nome de Belém de São Francisco e que dá alento aos seus belos e eternizantes poemas”.

* Fátima Quintas é escritora, jornalista, antropóloga, membro da Academia Pernambucana  de Letras e da Academia Recifense de Letras.

 

Lançamento do seu primeiro livro em 1985

Lançamento do seu primeiro livro em 1985

“…Seu talento, aliado  ao  amor pelo chão natal,  emociona o leitor. Você consegue, como bem se expressa  Frederico  Pernambucano  de  Melo, “mesclar a arte à pedagogia”,  fugindo, inteligentemente,  da  rigidez  didática   para  transmitir beleza e humanismo em estilo seguro. Parabéns!… Que seus livros se espalhem por todo este Brasil que está, finalmente, aprendendo o valor da leitura”. 
* Lurdes Gonçalves - Rio de Janeiro -  jornalista e escritora, detentora do Prêmio Jabuti com o livro Calunga.

Publicado por: lourdesnicacio | março 7, 2009

Poema título

Ilustração da capa do livro feita por Zuleno Pessoa

Ilustração da capa do livro feita por Zuleno Pessoa

 

O lavrador e o templo

                   Lourdes Nicácio

                                    

Sê o templo natural

                    este Universo

de onde emana

                      a humildade

Onde um calendário

além dos olhos

tece as estações,

                        a eternidade

  

Há tantas safras

de estrelas nesta vida

tantos espaços

          troncos da verdade

Sê mais que um servo

desse plantio de luz:

lavra em ti

               a mansidão

                              a paz.

Publicado por: lourdesnicacio | março 7, 2009

A poesia telúrica de Lourdes Nicácio

A fazenda Canabrava submersa

A fazenda Canabrava submersa

Ritmo das águas vivas

 

   Lourdes Nicácio  
                              
          

Bem dentro de mim armazenei

do São Francisco ilhas, barcos, capinzais

Cajus, goiabas,peixes, frutos de água doce

o clima fresco, o cheiro verde, o arrozal

 

Moinhos, rodas d’água, as carrancas

as pedras, os banhos, as roupas brancas

Gestos florais de cachoeiras e águas mansas

cheiro de argila e bebedouro nas vazantes

 

Moitas, arbustos, diademas de cipós

sombras da fauna, maretas, faixas de areia

Vitalidade permanente, tanto encanto,

tesouro antigo dos palácios das Sereias

 

A imensidão dos campos e rebanhos

culto aos pastores, agricultores, remeiros

Lições de vida, pores-do-sol, rituais

que o Vale tece como artesão dos milagres

 

Sementes, pétalas, raízes em superfície

balsas de adubo rastreando as margens ativas

Daí por que de mim emanam, também, melodias

ou seiva do rio inteiro, em ritmo das águas vivas.

 

Sertanejo

                     

               Lourdes Nicácio

Sobre o teu peito

a luz,o ouro, o bronze

- um sol já tecido

exposto às manhãs

 

Nas mãos a firmeza

de um condutor sagrado

protetor da terra

área dos milagres

 

 

Na voz, a força

o cetro, o Império

Nos pés, arbustos

             e o passo firme

 

Dos olhos

emanam mistérios:

lendas, pássaros, frutos

                       o rio

                         o sonho

                            a vida.

Publicado por: lourdesnicacio | março 7, 2009

A posia social de Lourdes Nicácio

quadro33Dilúvio

 
            
Lourdes Nicácio

 

Agora vives

a construir um barco

Arca de fim do mundo.

 

Não vês

que o dilúvio

             está em ti


que te arrebatas

                      em ondas

para o além de ti mesmo?

 

 Quando não mais

te alcançares

em grãos de areia

               
                 
ou terra

aqui

as sementes voam

                desde as raízes

 

Quem te substituirá

na festa de Deus?

 

Desarma-te

 

Expõe tua face

             aos rumos do sol

Publicado por: lourdesnicacio | março 7, 2009

A Poesia das Cores

O artista plástico Zuleno Pessoa

O artista plástico Zuleno Pessoa

O artista plástico Zuleno Pessoa recriou a vida em suas telas, ensinou aos amigos sobre a canção do gesto. “Não sou um artista que se esconde atrás da obra e sim, aquele que se apresenta através dela. Procuro me comunicar. Praticamente as minhas figuras estão olhando para mim como quem diz: – Quem é você?”, afirmou Zuleno, em entrevista ao Jornal de Literatura Novo Horizonte. Algumas de suas obras ilustram o livro O Lavrador e o Templo.

 

Uma das obras de Zuleno

Uma das obras de Zuleno

 

A canção do gesto

             Lourdes Nicácio

Os ventos arrastavam

o silêncio verde da mata

restauravam-me

                    as madrugadas

 

As madrugadas me ensinaram

reunir pedaços de estrelas

caminhar por dentro da montanha

                     ouvir os sobreviventes

 

Aprendi com as madrugadas

        sobre a canção do gesto

              e os destinos dos homens.

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